
O encontro no Jalapão reuniu pesquisadores e artesãs para compartilhar objetivos do projeto, aplicar questionários e fortalecer a participação comunitária na pesquisa sobre a cadeia produtiva do capim dourado
O projeto Sociobio Amazônia realizou nesta última quinta-feira, 15, mais uma agenda de diálogo com artesãs de capim dourado em Ponte Alta do Tocantins, na região do Jalapão. O encontro reuniu pesquisadores e representantes da comunidade para apresentar os principais pontos de estudo da pesquisa, detalhar as etapas da pesquisa e compartilhar os resultados que se pretende alcançar, considerando os conhecimentos, as experiências e as demandas de quem atua diretamente na cadeia produtiva.
A atividade contou com a participação do professor doutor Carlos Andrés, também integrante do projeto. Economista e doutor em Economia Aplicada pela Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), ele possui ampla experiência em pesquisa e atuação profissional nas áreas de economia agrícola e finanças em países da América Latina. Atualmente, é docente-pesquisador e coordenador do Mestrado em Economia e Finanças Populares e Solidárias da Universidade Andina Simón Bolívar, no Equador (UASB-E).
No encontro, os pesquisadores relembraram sobre a importância de compreender a organização do trabalho das artesãs, suas formas de cooperação e os desafios enfrentados no desenvolvimento da atividade. “A intenção é que a pesquisa contribua para ampliar o conhecimento sobre a realidade local e identificar caminhos que fortaleçam a organização coletiva e valorizem o trabalho das comunidades tradicionais”, comentou professor Alex Pizzio, coordenador do projeto lembrando que os grupos de artesãos de Lagoa do Tocantins e Santa Tereza.
A presidente da Associação dos Artesãos do Capim Dourado Pontealtense, Maria do Carmo Vieira, conhecida como Mita, também destacou a continuidade do diálogo com os pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Para ela, a aproximação representa uma oportunidade de compartilhar as experiências das artesãs, apresentar as necessidades da categoria, além de contribuir para uma pesquisa que considera a realidade de quem trabalha diretamente com o capim dourado.
“É muito importante receber novamente os pesquisadores da UFT e ter esse espaço para conversar, compartilhar nossas experiências e também mostrar de perto o trabalho que realizamos. Esperamos que essa parceria contribua para valorizar ainda mais as artesãs que vivem do artesanato de capim dourado”, completou Mita.
O olhar do pesquisdor
Para o professor Carlos Andrés, compreender a dinâmica da comunidade é fundamental para que a pesquisa produza contribuições conectadas à realidade das artesãs. “É importante olhar para a comunidade a partir de suas próprias experiências, reconhecendo os conhecimentos construídos ao longo do tempo e a capacidade de organização das artesãs. O trabalho cooperativo pode fortalecer a produção, ampliar oportunidades e contribuir para que os benefícios gerados pela cadeia do capim dourado alcancem quem mantém essa tradição viva”, avalia.
A pesquisadora Aline Marinho Bailão Iglesias, juíza da Comarca de Novo Acordo, disse que a atuação da Associação dos Artesãos do Capim Dourado Pontealtense, que reúne produtos de diferentes artesãs e representa um relevante espaço de organização e valorização do artesanato local. Na agenda, ela apresentou aspectos em que o Sociobio Amazônia pretende contribuir com o trabalho das artesãs e participou da aplicação dos questionários, etapa da pesquisa que busca conhecer melhor a realidade da atividade.
“É sempre muito bom voltar a Ponte Alta e rever as artesãs, que mais uma vez nos receberam com todo o carinho e atenção. A Associação Pontealtense tem uma sede muito organizada, onde podemos nos reunir, trocar experiências e ainda encontrar produtos de várias artesãs. São peças lindas, muitas delas premiadas”, citou Aline agradecendo o acolhimento do grupo.


