
A construção de uma pesquisa comprometida com a realidade das comunidades começa pela escuta. Foi com esse propósito que pesquisadores do projeto Sociobio Amazônia, desenvolvido pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), estiveram na sexta-feira, 3, na região do Bico do Papagaio, norte do Tocantins, para um dia de visitas e diálogos com mulheres quebradeiras de coco babaçu e produtores rurais.
A programação teve início com um encontro junto às mulheres que integram o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), no Tocantins. O momento foi dedicado à apresentação das cadeias produtivas contempladas pelo projeto e à construção de um diálogo sobre a pesquisa que será desenvolvida na região.
No decorrer da reunião, as participantes conheceram as etapas do estudo, esclareceram dúvidas e contribuíram com seus conhecimentos, vivências e demandas. A troca de experiências fortaleceu uma construção coletiva baseada na valorização dos saberes tradicionais e no protagonismo das comunidades que vivem da sociobiodiversidade.
A equipe também visitou a comunidade Olho d’Água, onde ampliou o diálogo com mulheres que preservam, diariamente, os territórios do babaçu e da agricultura familiar. Para o grupo de pesquisadores que conduziram as programações, cada encontro proporcionou mais do que a coleta de informações para a pesquisa, representou uma oportunidade de ouvir as necessidades das comunidades e compreender os desafios enfrentados por quem mantém viva uma das mais importantes cadeias produtivas da sociobiodiversidade brasileira.
Para a assessora do MIQCB, Elizete Araújo, a aproximação entre universidade e comunidades fortalece a valorização do trabalho desenvolvido pelas quebradeiras de coco e amplia a participação das mulheres na construção do conhecimento. “É muito importante quando a universidade vem até o território para ouvir as mulheres quebradeiras de coco. Somos nós que vivemos essa realidade todos os dias e conhecemos os desafios, mas também o potencial que existe na cadeia do babaçu. Essa troca fortalece nosso movimento e faz com que a pesquisa dialogue com as necessidades reais das comunidades”, pontuou.
Segundo o coordenador do projeto Sociobio Amazônia, professor Alex Pizzio, a pesquisa tem como princípio reconhecer que o conhecimento produzido pelas comunidades é indispensável para compreender a dinâmica dos territórios. “A intenção é construir uma pesquisa feita com as comunidades e não apenas sobre elas. A escuta é parte fundamental desse processo, porque são as mulheres quebradeiras de coco, os produtores rurais e os povos da sociobiodiversidade que conhecem profundamente seus territórios e apontam os caminhos para fortalecer essas cadeias produtivas de forma sustentável”, citou.



